Virada Cultural. org

Publicado em Ciências Sociais, Cultura, comportamento, sandra ABO calasans, shows às 3 Maio, 2009 por Elemento Língua

Ishhhh……………..cheguei…

Por um momento pensei que não conseguiria…é um grande evento, confesso, mas São Paulo merece uma  organização melhor.

Apesar de bem policiado e sem grandes ocorrências, não se pode  ignorar alguns tumultuos  por conta da excessiva venda livre de bebida alcoólica e consumo de drogas ! Vamos fazer de conta que não vimos nada,  mas mentiroso é aquele que disser não reconhecer aquele cheirinho bom da fumacinha… daquele cigarrinho… ainda  proibido…  saindo daqui e dali na maior, e mais a bebida rolando solta pra maiores e menores.

Politicamente: incorreto!

E hipócritas seremos se dissermos não acreditar que ali esteja rolando um grande tráfico de drogas químicas e um superlativo consumo por entre os mais jovens e gente de todas as idades. Passam por nós um éter, um álcool,  um cigarro e aquele um, que bem mexem com a lembrança de até os mais esquecidos…  o lança perfume universitário, ao vivo ali,  em pleno metrô.

Tudo muito democrático,  gente bonita desfilando por entre moradores de rua embevecidos pelo incomodo do evento que lhes tira o conforto da rua e  a privacidade de uma boa noite de sono.

O mundarel de gente que se encontra num vai e vem  está ali para brindar a Cultura, não pelo cardápio oficial, mas pela liberdade de poder se expressar, cada qual com a sua linguagem multi-todas-as-coisas, todas as cores e todos os estilos, todos os credos  e todas as filosofias que se possa imaginar.

Ali ninguém tem sexo, idade, raça, religião… tá todo mundo atrás de diversão, conhecimento, aprendizado, conceito, liberdade, expressão.

É muita gente. Um mar de gente. Um exército de gente!

Só que…

…o som dos palcos vaza,  de um para outro… a música se cala de tempo em tempo… o que  não faz sentido.

Os palcos deveriam ficar sempre fechando as ruas para evitar o confrontro das tribos.

As percussões se misturam porque os graves transitam entre os prédios… talvez inevitável… os palcos ficam perto demais.  Só um pouquinho mais de dedicação na organização e o evento se mostraria a que veio.

Mas o que eu vi foi uma grande confusão de gente indo e vindo sem saber pra onde, não consegui ver show nenhum, muita gente bebendo e caindo;  apesar dos banheiros químicos, muita “gente” fazendo xixi na rua… jogando papel ,  latinhas, lixo…muito lixo nas ruas.

No ano que vem, gostaria muito de poder participar de um evento mais organizado…para um povo mais educado….desculpem tô quebrada,  preciso  dormir…

Uma delícia chamada “Divã”

Publicado em Arte, Cultura, cinema, sandra ABO calasans às 22 Abril, 2009 por Elemento Língua

Vale uma entrada só para registrar uma delícia chamada “Divã”.

Gostaria de parabenizar elenco e  produção pelo empenho e  excelente resultado que está sendo apresentado nos cinemas, o que reafirma a qualidade da produção nacional, que já não fica longe de estar entre as melhores do mundo.

Com  adaptação e roteiro  amarradíssimos por  Marcelo Saback, o texto é divertidíssimo e a atuação de Lilia Cabral impecável merece um Oscar ! Elenco maravilhoso…nota mil !!!!!!!!

Orgulhosamente:  Parabéns cinema nacional.

Só para refletir…

Publicado em Ciências Sociais, ciências políticas, comportamento, filosofia, reflexão, sandra ABO calasans às 17 Abril, 2009 por Elemento Língua

São Jorge que me perdoe… mas têm coisas  urgentes a serem discutidas neste país e que  andam  um tanto esquecidas.  Mas também, não é de hoje…

Num país como o nosso, de dimensão territorial, diversidade cultural e religiosa, precisamos nos ater ao que representam os feriados, sejam eles nacionais, estaduais ou municipais, tanto para a economia quanto para a cultura.

Está virando moda, de uns tempos pra cá, emendarmos uma semana inteira por conta de feriados, sejam eles  religiosos, históricos, conceituais, políticos, emergenciais…ou o diabo a quatro…

Eu realmente acredito que nossas crianças devam aprender a respeitar a cultura, nosso polêmico passado histórico, ou quaisquer mitos que por ventura suas famílias adotarem como crença religiosa… mas acho também que devemos transmitir a elas o senso de cidadania, ética e responsabilidade, respeito e generosidade, que não estão embutidos nos pacotes de feriados ou de finais de semana prolongados.

Que tal mudarmos a cultura da vagabundagem em pról de  ideologias mais produtivas, mais realizadoras e representativas que nos tragam um bom retorno sob o ponto de vista humano, do que simplesmente cultuar uma tradição religiosa ditada por homens nem um pouco escrupulosos que não saem de seus tronos, nem arregaçam suas mangas pra ajudar efetivamente seus vizinhos, nem mesmo diante de  estrondosas catástrofes ?…

Sugiro tirarmos uma única semana anualmente, para que cada um possa se dedicar  àquilo em que acredita de verdade, seja lá o nascimento ou a morte de um  messias, o respeito à virgem sua mãe, à todos os homens e mulheres santos e márteres, entidades ou simbologismos de qualquer espécie, respeitando todos os grandes feitos históricos, e todas as religiões como também aqueles que, por ventura  escolherem permanecer fora delas.

Por que não efetivarmos a semana do meio ambiente, o dia da árvore, do ar, da água ?… que deverá ser  nossa escolhida e útil religião prum futuro muito próximo…  Será que não está na hora de voltarmos a reverenciar o deus  sol, a mãe lua, a deusa água, a virgem floresta, a sagrada Terra ?…

Por que não aderirmos à semana sem carro, sem lixo, sem poluição… sem violência, sem discórdias, inclusive as religiosas,  se é disso que depende o futuro de nossas  crianças ?…

Por que não instituirmos a semana da ética, da cidadania, do “bom caratismo”, da benevolência, da doação ?…

Por que não a paciência e a tolerancia citadas pelo Dalai Lama em detrimento da onipotência e arrogância ditadas por opressores através da excomunhão ?…

Por que não efetivarmos a semana santa da caridade, da vida sem fome, sem aids… sem armas ?…

Por que não efetivarmos com toda a nossa fé o uso da camisinha, já que vem sendo demosntrado que nossa vida afetiva e nossa sexualidade  estão passando por momentos de vulnerabilidade da qual não escapam nem os mais solenes representates da Santa Sé  que pouco a pouco, estão sendo desmascarados  por denúncias de pedofilia, estupros e relacionamentos nem um pouco condizentes ao seu ofício celibatário ?…

Por que dizer  “não” ao aborto se sua prática é uma triste e arriscada realidade…e  “sim”  à mortalidade infantil…  à fome, à falta de instrução, à vida  sem o mínimo de dignidade ?…

Será que foi isso mesmo que Ele veio nos ensinar ?…  Será que crianças não deveriam ter melhor qualidade de vida do que a miséria a que estão condenadas por todos os continentes do planeta?…

Ora, ora….por todo o sincretismo….  nós não precisamos de tantos feriados….o que precisamos é  elevar o pensamento aos céus para pedir por decência !!!!!!!!!!!!!!!!!!

Só agora, por falta de tempo…

Publicado em sandra ABO calasans às 17 Abril, 2009 por Elemento Língua

… Mas sem deixar passar…

Gosto de escrever sobre arte, momentos, amor, coisas leves, suaves…mas tem coisa que a gente não pode deixar passar.

E essa coisa se chama “indignação”.

Minha indignação está latente desde os habbeas corpus concedidos pelo Supremo Tribunal Federal no caso Daniel Dantas. Um caso que me gerou muitas dúvidas a respeito da credibilidade da instituição.

Eu acho que faço parte de uma das últimas gerações que conseguiu receber um ensino público de qualidade, no início dos anos 70, ainda no curso ginasial, mediante o pagamento do preço de receber, obrigatoriamente, as aulas de educação moral e cívica  ministradas pelo governo Médici com a intenção de impossibilitar qualquer tipo de liberdade cognitiva. O que nos fez então, romanticamente, acreditar nas instituições.

No Caso de Dantas, a indignação ficou a cargo da dimensão das atitudes tomadas pelo Supremo Tribunal para tirar o verdadeiro foco do caso, corrupção ativa, roubo, formação de quadrilha, evasão de divisas, tentando reverter a ira da opinião pública para o trabalho realizado pela polícia federal, mandando prender delegados envolvidos no caso, etc, etc.

Proibiu-se, então,  o uso de algemas para bandidos de qualquer natureza alegando-se preocupação com a exposição pública do cidadão e proteger assim a imagem dos marginais de colarinho branco, que tendem a ser  os  mais temidos no país, por ordem da … impunidade…

Vale aqui lembrar também o caso Daslu… entre muitos, muitos  outros…  todos acobertados pelos tribunais de justiça…mas que justiça é essa, malandro ????

O direito de falar x o dever de ficar calado

Publicado em sandra ABO calasans às 12 Dezembro, 2008 por Elemento Língua

Ora meu Deus!

Realmente, acho que estamos perdendo o foco da importância das coisas. Ou estamos perdidos numa escala de valores absolutamente equivocada.

O que é preciso ser dito anda esbarrando no que é preciso ser silênciado. O respeito se desencontrando do que é preciso ser respeitado, numa falta de entrozamento entre o sujeito e seu objeto,  o que torna certas questões incompreensiveis, inclassificáveis, inqualificáveis.

Mais uma vez sobre os formadores de opinião. Mais uma vez sobre a liberdade e a libertinagem da comunicação.  Mais uma vez sobre a responsabilidade de quem expõe o conteúdo versus as possibilidades de interpretação de quem o analisa ou puramente o consome.

Enfim, o que deve ou não deve ser dito  ainda se move paralelamente à ética, à retórica e à liberdade de expressão.

Num único dia , em frente à tv, não consegui entender os motivos que levaram a apresentadora Sonia Abraão a convidar  o ex-marido vilão arrependido  para um pedido de perdão público à atriz  Suzana Vieira seguido de uma súplica para a reconciliação  e,  24h depois,  o mesmo ex-marido vilão anunciando seu amor pela amante, com quem estaria prestes a constituir família, numa exposição gratuita e muita falta de respeito aos sentimentos da pessoa da atriz, o que muito me lembrou a estonteante história de Bruna Surfistinha.

Por outro lado e logo na seqüência, surge a bombástica declaração em tom de desabafo e indignação da apresentadora Ana Maria Braga, escurraçando o tal marido-vilão, banindo-o deste mundo.

Por fim,  o cara se afoga em cocaína, passa de vilão a vítima,  deixa a amante em má situação,  cumpre a profecia da apresentadora.

E agora José…?

O desfeixo deste caso infelizmente é trágico, mas fica aqui novamente uma  reflexão diante da atitude da imprensa, se é que se pode chamar assim, e do estardalhaço em torno da vida pessoal da atriz.

Fiquei confusa.  Alguém poderia me indicar com quem está a razão?

Ainda em frente à tv, aproveito para expressar minha indignação para com o desfeixo do caso do menino João Roberto. A alegação para a absolvição do policial é de que ele agiu no cumprimento do dever. Que eu saiba o  dever da polícia é proteger o cidadão e não abrir fogo contra ele.

Não entendi.

Minhoca Voadora

Publicado em momentos, música, sandra ABO calasans com as tags , , às 25 Novembro, 2008 por Elemento Língua

Fiquei apenas sabendo, que na última sexta-feira, houve um show especial de Natal, numa praça em Fortaleza. Que de tudo que é belo, não faltou nada…com direito a decoração natalina e coral de crianças nas varandas dos prédios, e um especialíssimo show, meu amigo querido Jorge Vercillo, subiu e, com voz e violão, en-cantou meu hino preferido … “Em tudo que é belo”!

Fiquei agradecida só por saber que milhares de pessoas naquela praça puderam ouví-la, assim, ao vivo…

Na próxima encarnação, eu virei como minhoca voadora, para poder estar presente nessa hora e poder sentir, ao vivo, essa emoção!

Obrigada pelo presente, amigo! Eu sabia que esse dia chegaria.

As mulheres da banda

Publicado em sandra ABO calasans com as tags , , , às 24 Outubro, 2008 por Elemento Língua

Nem sei mesmo como dizer, por um instante fiquei sem saber o que fazer com as palavras. Sinto a voz do expressar embargada na garganta, mas ainda assim me arrisco a cometer um erro, e com total atrevimento sugiro um “oceanar” como momento único, de um transbordar absoluto.

Quem entende de amar, entende o que eu digo.

Nesta história, minha vida se mistura a Oceano, e minha emoção transborda junto de minhas lembranças. Foi mesmo um momento único, restrito.  Eu preparava uma vida e a vida me preparou uma história.

Carol Welsman e o Dja

Foi quando tocou o interfone. E pelo chamado aos poucos fui entendendo meu lugar de mulher, de companheira. A música sempre falava mais alto lá em casa e neste instante compreendi o meu papel. Minha família estava crescendo junto com minha barriga e a música me desafiava a encarar uma nova vida. Pelas mãos do pianista ela levava meu companheiro para o mundo, me deixando responsável por todo um aconchego à espera de sua volta. E foi assim que se fez…E é assim a vida das “mulheres da banda”.

À beira do palco, nossa vida vai passando como se fosse um filme. Ele, o palco, sempre o protagonista. Nos bastidores somos espectadoras do assédio e da falta de rotina, vemos nossos filhos crescer, no vai e vem de um pai sem datas. Mas a música nos alimenta, nosso amor nos complementa e nos traz a serenidade necessária para cada reemcontro, e a força  necessária para a próxima partida. E isso faz da nossa vida mais que desejada . A “glamourosa” vida do palco, onde na realidade a fantasia não se mistura, porque as luzes se apagam e  voltamos para casa.

Com os laços se estreitando  desde o estúdio de gravação, estendo aqui uma calorosa menção às “mulheres da banda”, começando pela Claudia Maia com quem eu sempre falava em escrever essas histórias, mas com muita saudade, da Simone Martins, da Mônica Mariano, da Irene Gil, da Cida Campello, da Ticiana Oliveira, da Evelyne, das duas Andreias, a Vasconcellos e a Mariano, Zânia Castilho, da Ana Stela Bala Gomes. Todas passamos pelos mesmos caminhos. Umas ficaram, outras partiram….mas nossas vidas se cruzaram em Oceano.

Deixo aqui um super beijo aos meus amigos músicos que um dia formaram uma super banda – considerada uma entre as melhores já vista na história da música brasileira.

Carlos Bala Gomes, Marcelo Martins, Torquato Mariano, Glauton Capello, Arthur Maia, Armando Marçal, Walmir Gil, François Lima, Sidinho Moreira, Pirulito, Marcelo Mariano, João Castilho e André Vasconcellos e o meu maestro Paulo Calasans.

A elegância de uma década

Publicado em sandra ABO calasans com as tags , , , , às 20 Setembro, 2008 por Elemento Língua

Do momento em que conceitos tradicionais entram em desuso e a arte toma o curso dos valores descatáveis,  me senti livre para mostrar aqui uma escolha que fiz, ainda criança, de guardar imagens, cenas, pessoas, músicas e palavras dentro de uma caixinha que criei num cantinho de mim, dentro de uma caixa maior, onde guardo tantos outros conceitos e valores.

Contidas, desde a década em que passei a minha mais tenra infância, trago clássicas lembranças, onde a estética, a beleza, a sensibilidade  plástica do que era concebido pela arte atingiam o inconciente e talhavam a fomação intelectual de nossas mentes desavisadas.

De ainda muito pequena,  guardo cenas como as da morte de John Kennedy,  da nova Capital,  dos soldados e tanques pelas ruas do Rio de Janeiro, do homem na Lua.

A de Sérgio Ricardo quebrando o violão ao ser vaiado no festival, a ira de Caetano no “É proibido proibir”… Todas as cenas dos festivais  estão guardadas, claras e intactas, dentro da minha caixinha.

Cinema, Dorothy,  a janela batendo em sua cabeça e a fantasia surgindo como  mágica em tecnicolor…Branca de Neve, …Tony Curtis e a Corrida do Século. Tudo na caixinha.

Guardo também Agostinho dos Santos, Elizete, Nat King Cole. A Jovem Guarda,  que tive o privilégio de assistir no teatro da rua da Consolação, a grande festa no teatro Universal.  Alaíde Costa.  Show do dia sete, Dois na Bossa, Roberto e Erasmo. Disparada e A Banda  empatadas. Vandré  “pra não dizer que não falei das flores”.

Nas ruas o Simca Chambord e no armário os sapatos da minha mãe, suas roupas, as luvas, as perucas. Os anos 60 foram um marco de elegância e glamour. Eu adorava andar com os sapatos da minha mãe.

Me lembro bem das tardes na Galeria Metrópole, das Lojas de departamentos, da escada rolante. E das férias pelas ruas de Copacabana.

Mas eu era bem pequena e fui acolhida pela emoção daquele tempo.

Da elegância, escolhi estas imagens pra selar.

Un homme et une femme – Claudine Longet (1966)

A dialética de Caetano

Publicado em sandra ABO calasans com as tags , , , , às 19 Setembro, 2008 por Elemento Língua

Parte 1

Dentro da arte de dialogar, o discutir em defesa das próprias idéias garante sucessivos conflitos de opiniões que podem gerir novos conceitos a respeito do objeto em questão. E é nesse processo discursivo que se enquadra a definição de dialética.

Então, a despeito da definição de dialética, contrapõem-se diversas teorias, desde os tempos de Sócrates até os imediatos do século 21, em que filósofos e estudiosos das ciências sociais e políticas, pensam e repensam a sua sucetividade em torno do seu próprio conceito. Em suma, a dialética aplica a si mesma todo o movimento que designa ao campo das idéias.

Pensando assim, e associando a dialética ao discurso lógico, à hermenêutica e à lógica enquando argumentação, desde que seja a  discussão ininterrupta, é que se pode gerar uma conclusão a respeito do conflito.

Enfim,  posso dizer da minha epopéia em tentar argüir uma obra com seu autor, um privilégio que tive de contra-argumentar uma idéia com o nada pouco polêmico Caetano Emanuel Viana Teles Veloso.

Num cenário de pré-carnaval, a convite de Gil e Geléia Geral, num estúdio de ensaio em Salvador (fevereiro de 1997), por onde transitaram, Ivete, Daniela, Gal, Baby, Pepeu, Lulu, Milton, Djavan, Elba, Margareth, Dominguinhos, Mautner entre outros muitos músicos e artistas que  buscavam seus melhores tons para dar voz à grande festa tropicalista que se faria alguns dias depois, fui abordada pelas duas “backing vocals” da banda formada por Gil a respeito da  letra de uma das músicas que Caetano acabara de gravar:

“Não enche!”.  Uma letra agressiva  não só aos ouvidos como a qualquer ser, animado ou inanimado, em que o gênero admita a terminação “a”.

Fui a porta voz e questionei com um pedido de explicação.

Com sua letra um tanto quanto extravagante, a canção “Não Enche” diz tudo. Um autor de saco cheio, cansado de ser perseguido, criticado cruelmente durante anos, autuado junto ao seu legado a todo tipo de patifaria, oral e escrita, afirma com todas as letras a algumas testemunhas que dedicou toda a sua ira ali expressa ao seu maior desafeto: a Imprensa.

E com um ar nada menos patife, brinca com a irritação das mulheres alegando que ao chegar com a música em casa, diante da reação de sua mulher aos apelos machistas do poema, estendeu-a dizendo que o capuz poderia servir a quem quisesse, apesar de serem tão boas as suas intenções.

Parte 2

Porém, naquele dia, em respeito às imposições da hora, tive que me calar e  perdi a oportunidade de complementar meu raciocínio. Mesmo segura das minhas convicções precisei deixar de expor meus argumentos.  Eu estava fora de lugar.

Fiquei sem a conclusão do meu conflito, abandonei a hermenêutica, o discurso lógico, a lógica, as teorias, os conceitos e a dialética de Caetano.

Mas o que eu queria saber naquele momento, e faço a pergunta aqui e agora,  era que se, num  país como o nosso, diante da violência instigada, de tanta  violência contra a mulher, mediante toda a ignorância e falta de instrução, a população que ouve rádio e vê telenovela sabe dicernir se os insultos contidos na letra desta canção são mesmo para selar a  excêntrica, estúpida e polêmica relação de Caetano com a Imprensa.

???

Em tempo: Caetano Veloso, a meu ver,  além de ser uma das grandes expressões da música, no Brasil e no mundo, está entre os maiores formadores de opinião deste país.

Palhaço

Publicado em sandra ABO calasans com as tags , às 16 Agosto, 2008 por Elemento Língua

Eu sou um palhaço

da vida

Alegria criança

E riso, e riso

tristeza coração.

Eu sou um palhaço da vida

ela acha graça de mim

e sonho, e sonho

chorando sempre.

Eu sou um palhaço

da vida…

e quero morrer

um palhaço !…

escrito em setembro de 1979.

Egberto Gismonti – Palhaço