Arquivo para reflexão

A dialética de Caetano

Postado em sandra ABO calasans com as tags , , , , em 19 Setembro, 2008 por Elemento Lingua

Parte 1

Dentro da arte de dialogar, o discutir em defesa das próprias idéias garante sucessivos conflitos de opiniões que podem gerir novos conceitos a respeito do objeto em questão. E é nesse processo discursivo que se enquadra a definição de dialética.

Então, a despeito da definição de dialética, contrapõem-se diversas teorias, desde os tempos de Sócrates até os imediatos do século 21, em que filósofos e estudiosos das ciências sociais e políticas, pensam e repensam a sua sucetividade em torno do seu próprio conceito. Em suma, a dialética aplica a si mesma todo o movimento que designa ao campo das idéias.

Pensando assim, e associando a dialética ao discurso lógico, à hermenêutica e à lógica enquando argumentação, desde que seja a  discussão ininterrupta, é que se pode gerar uma conclusão a respeito do conflito.

Enfim,  posso dizer da minha epopéia em tentar argüir uma obra com seu autor, um privilégio que tive de contra-argumentar uma idéia com o nada pouco polêmico Caetano Emanuel Viana Teles Veloso.

Num cenário de pré-carnaval, a convite de Gil e Geléia Geral, num estúdio de ensaio em Salvador (fevereiro de 1997), por onde transitaram, Ivete, Daniela, Gal, Baby, Pepeu, Lulu, Milton, Djavan, Elba, Margareth, Dominguinhos, Mautner entre outros muitos músicos e artistas que  buscavam seus melhores tons para dar voz à grande festa tropicalista que se faria alguns dias depois, fui abordada pelas duas “backing vocals” da banda formada por Gil a respeito da  letra de uma das músicas que Caetano acabara de gravar:

“Não enche!”.  Uma letra agressiva  não só aos ouvidos como a qualquer ser, animado ou inanimado, em que o gênero admita a terminação “a”.

Fui a porta voz e questionei com um pedido de explicação.

Com sua letra um tanto quanto extravagante, a canção “Não Enche” diz tudo. Um autor de saco cheio, cansado de ser perseguido, criticado cruelmente durante anos, autuado junto ao seu legado a todo tipo de patifaria, oral e escrita, afirma com todas as letras a algumas testemunhas que dedicou toda a sua ira ali expressa ao seu maior desafeto: a Imprensa.

E com um ar nada menos patife, brinca com a irritação das mulheres alegando que ao chegar com a música em casa, diante da reação de sua mulher aos apelos machistas do poema, estendeu-a dizendo que o capuz poderia servir a quem quisesse, apesar de serem tão boas as suas intenções.

Parte 2

Porém, naquele dia, em respeito às imposições da hora, tive que me calar e  perdi a oportunidade de complementar meu raciocínio. Mesmo segura das minhas convicções precisei deixar de expor meus argumentos.  Eu estava fora de lugar.

Fiquei sem a conclusão do meu conflito, abandonei a hermenêutica, o discurso lógico, a lógica, as teorias, os conceitos e a dialética de Caetano.

Mas o que eu queria saber naquele momento, e faço a pergunta aqui e agora,  era que se, num  país como o nosso, diante da violência instigada, de tanta  violência contra a mulher, mediante toda a ignorância e falta de instrução, a população que ouve rádio e vê telenovela sabe dicernir se os insultos contidos na letra desta canção são mesmo para selar a  excêntrica, estúpida e polêmica relação de Caetano com a Imprensa.

???

Em tempo: Caetano Veloso, a meu ver,  além de ser uma das grandes expressões da música, no Brasil e no mundo, está entre os maiores formadores de opinião deste país.

Sobre o abismo

Postado em sandra ABO calasans com as tags em 12 Agosto, 2008 por Elemento Lingua

O quê eu poderia falar sobre o abismo?

Que é um buraco sem fim imensamente assustador?
Um cair infinitamente sem chão?
Aquele deslize momentâneo impossível de se livrar?
Um passo em falso para lugar nenhum?
Um lugar neutro onde colocamos as pessoas que amamos quando queremos fazer algo sem que elas vejam?
Outro lugar neutro de onde jamais conseguimos tirá-las?
O mesmo lugar para onde pulamos depois, sem sequer olhar?
Aquele mesmo de onde jamais conseguimos sair?
O que é o abismo afinal?

ABISMO:

1- Cavidade geralmente vertical com abertura na superfície da terra e fundo desconhecido.
2- Mistério, escuridão, ruína.
3- Situação difícil, distância extrema, último grau, extremo.

escrito e publicado às 00:22h de

O outro

Postado em sandra ABO calasans com as tags em 12 Agosto, 2008 por Elemento Lingua

Como fazer para lidar com interpretações de identidades definidas por conceitos da visão subjetiva sendo que, em algum momento, paira sobre nós uma questão não tão compreensível: a relação com o outro.
A questão é: qual é o papel do outro em nossa vida?
O outro é o desconhecido, o enigmático. Um complemento, nosso lado oposto …. o lado de fora; uma visão por outros olhos.
Tudo com relação ao outro é diferente em relação a nossa própria visão de mundo.
A individuação se contrapõe às necessidades do coletivo.
A pós-modernidade colocou o individuo à reserva de tudo o que não diz respeito aos seus conceitos interpretativos. O outro entra em afrontamento ao querer individual.
Como a visão de mundo, os conceitos adquiridos, a verdade, o conhecimento, a essência, tudo o que existe em nós é alheio ao outro…tudo o que não somos é o outro, e nos cabe a inobservância da exteriorização desse novo conceito. O que eu não vejo eu ignoro. O que não está em mim não existe. O individual num estado de ser absoluto. O meu entendimento, o meu dicernimento acerca do que me basta. O outro serve de adorno. Faz parte da paisagem.
O outro é o lado de fora, outra realidade, o que eu não consigo ver em mim, e que diretamente me foge ao entendimento, um interagir quase indecifrável.
Meu discurso me atende e às necessidades do que eu sou, e o outro não me cabe em lugar nenhum.
Isto é o que o mundo nos impõe. Isto é o que o agora nos impõe.

escrito e publicado às 19:51 de uma quarta-feira em 09 de julho de 2008

Sobre o bem-querer

Postado em sandra ABO calasans com as tags em 12 Agosto, 2008 por Elemento Lingua

O  bem-querer é o sentimento mais profundo e sua natureza é de ser quase tímido.
É o mais fiel dos sentimentos.
Estreito em sua forma, objeto de um sujeito e único, um bem jamais tocado por outrem, subjetivo, íntimo e próprio.
Ninguém pode jamais roubar um sentimento como este.

Você pode roubar o amor, a razão, o coração…mas um bem-querer, jamais.
O bem-querer é um gostar verdadeiro, público… privado, às vezes tão inconfessável que secreto. Inviolável.

O que eu sei sobre o bem-querer é um gostar de verdade de alguém. Gostar por gostar, sem querer nada em troca. Sem querer sem querer… só um gostar…

Que fica guardado por dentro, intocado. Mas que de repente a gente lembra e fica feliz só por lembrar.
É o que há de mais singelo e puro que existe, pois não depende de nada…nadinha.
O querer-bem nasce de um olhar, uma palavra de carinho… um pequeno gesto e uma impressão que fica. E fica pra sempre.
Eu guardo quereres. As pessoas passam, mas deixam resíduos de boas lembranças…

E uma emoção imensa em cada uma delas.

escrito ás 18:58 de uma sexta-feira 13 em junho de 2008

Bom dia com alegria

Postado em sandra ABO calasans com as tags em 11 Agosto, 2008 por Elemento Lingua

Outro dia eu estava conversando com um amigo e ele me falou de seu estado de espírito, toda manhã quando acorda, levanta da cama e esbarra com a primeira pessoa que pela lógica da hora deve mesmo ser a sua mulher, e ouve o primeiro “bom dia”.

Com seu temperamento nada suave, somado às agruras do dia anterior, ele vai logo dizendo: “bom dia porquê?”.
Sem pensar no que pode pensar sua mulher numa hora destas, porque posta-se tão automaticamente à inerência de sua repentina surdez, vou logo refletindo sobre a falta de serenidade a que estamos todos envoltos desde as primeiras horas da manhã.
E é falando sobre essa serenidade, que abro agora esse espaço quase litúrgico, para que com toda a minha serenidade eu possa vir a me expressar e dar voz de expressão àqueles que quiserem compartilhar minhas idéias.
A palavra “serenidade” vem do latim “serenus” e quer dizer “ter paz de espírito, estar em harmonia, sem nuvens, límpido, claro”…..
Se todos pararmos para pensar no que representa esta clareza, essa transparência para o dia-a-dia de cada um, e em como podemos dar nossa contribuição para viabilizar um estado de confiança, tanto no âmbito social, no convívio famíliar como na política ou nas relações de trabalho…poderíamos até desconsiderar as considerações líqüido-modernas de Bauman.
Pois bem, como é com reflexão que se alcança um estado de conforto cognitivo…é preciso pensar, é preciso acertar.
É preciso estabelecer o movimento, aceitar as mudanças . E para podermos ter certeza de que, em nossas atitudes, conseguimos colocar transparência e serenidade, é que podemos começar a prover a mudança que tanto esperamos, começando por nossa própria vida.
E quanto ao meu amigo… ia me esquecendo de concluir sobre nossa coversa de outro dia… ele ainda ia me dizendo que, se ao levantar da cama, de se lembrar da tranquilidade com que passou o dia anterior, da suavidade em que adormeceu nos braços de sua mulher, sem agruras, sem drogas, sem conflitos…ao se levantar da cama e se encontrar com a primeira pessoa, seja ela sua mulher ou qualquer pessoa em quem esbarrar que lhe disser “bom dia”, ele não exitará em responder serenamente:
“Bom dia com alegria!”


escrito em 21 de fevereiro de 2008.

E ainda acredito…

Postado em vídeos com as tags , em 1 Agosto, 2008 por Elemento Lingua

…que a vida possa ser uma imensa dança entre todas as pessoas, de todas as raças, de todas as seitas, de todos os credos, de todas as cores, de todos os sexos, de todos os ideais, com toda Esperança, com todo Acreditar…

Mas eu conheço o verdadeiro amor

Postado em sandra ABO calasans com as tags em 1 Agosto, 2008 por Elemento Lingua

O amor é um sentimento que te rouba a alma.
Que empresta de você todos os seus desejos e todos os seus sonhos para devolvê-los depois pela metade.Transforma você em compartilhamento, em doação. O amor não soma. Ele divide. Ele te rouba. Te ausenta de você.

O amor é uma bifurcação. Ele desvia. Ele engana. Ele te encanta.

Ele prepara armadilhas. Transgride. Transforma. Ele derruba. Ele levanta.

Para o amor não há fronteiras, linhas, divisórias, muros. Ele salta. Empurra. Domina.

Ninguém pode escapar do amor quando ele chega. Mas ele pode matar você. Ou te fazer se sentir feliz.

O amor é uma espécie de sonho. Ou uma espécie de pesadelo.

Ele é doce e adoece. Ele brinca com você. Ele te faz chorar.

Mas ele traz grandes alegrias e alguma serenidade.

O amor é eterno. Inquieto. Ele não te deixa fugir. Nem esquecer.

O que há em nós quando encontramos o verdadeiro amor?

Um privilégio.

O verdadeiro amor é um privilégio.

Ele te esmaga. Te amordaça. Faz você doer. De alegria. Tristeza. Dúvida. Incerteza.

O amor é uma eternidade que faz a alma doer, para poucos saberem o que é a existência.

O verdadeiro amor é para poucos………….

escrito e publicado às 9:08 do dia 23 de maio de 2008

Sobre o amor

Postado em sandra ABO calasans com as tags em 30 Julho, 2008 por Elemento Lingua

O amor é uma eternidade que faz a alma doer,

para poucos descobrirem o que é a existência.

escrito e publicado às 8:34 do dia 23 de maio de 2008

O silêncio é composto de muitos silêncios

Postado em outros autores com as tags em 30 Julho, 2008 por Elemento Lingua

Nos silêncios do silêncio muito se poderá ouvir. Silêncios de cumplicidade e entendimento. Silêncios de ternura. Silêncios de compaixão. Silêncios de amor. Silêncios de compreensão. Silêncios de prazer. Silêncios de alegria. Silêncios de confiança. Silêncios de interesse. Silêncios de saber. Silêncios de emoção…Mas o silêncio tem outross silêncios. Silêncios que constroiem muros cujo silêncio é lúgubre e sepulcral. Silêncios de descriminação. Silêncios de adeus. Silêncios de morte. Silêncios de crueldade. Silêncios de desconfiança. Silêncios de desamor. Silêncios de sofrimento. Silêncios de desumanidade. Silêncios de solidão. Silêncios de angústia. Silêncios de vazio e distanciamento…O Silêncio é paradoxal. Na sua infinita ambiguidade residem silêncios mais ou menos cómodos e oportunistas. Silêncios de mentira e omissão. Silêncios repletos de covardia. Silêncios de manipulação.

Em cada silêncio das nossas vidas deveremos perguntar: O que queremos que reste depois de cada silêncio? De que silêncios queremos preencher o nosso silêncio?

Silêncios que são pontes ou silêncios que são muros…

AMMedeiros (Sonhos e Paradoxos)

Ainda sobre o silêncio

Postado em sandra ABO calasans com as tags em 30 Julho, 2008 por Elemento Lingua

O silêncio é a ausencia de respostas
é o som que perpetua o vazio da alma
é a voz calada do adeus.